Garranchos Iluminados

Friday, January 05, 2007

Retorno... retorno?

Meses, foram longos, mas passaram, e com eles várias das coisas que atormentam o bom, o mal e mesmo o feio.
Meses, de profunda introspecção, de longos olhares "pra dentro", de reformulação, limpeza da casa, auto analise ou chame-se lá como quiser.
Meses, onde por alguns breve dias experimentei o frescor de uma "paixão", que não era nada a não ser o extremo prazer de desfrutar da companhia de uma pessoa que também gostava de estar ao meu lado.
mas nada sério - disse ela - nada de namoro, apenas sair juntos.
Assim eram as normas, pois que sejam, e assim eu as segui. E a bem da verdade, eu adorei.
mas findou-se, como a flor que perde suas petalas ao fim de sua vida, assim cumpriu-se a paixão ao que deveria. Completa, inicio meio e fim, sem traumas, amarguras desgostos ou promessas de "um dia eu volto".
Meses, dedicando-me a saber "por que diabos eu escrevo o blog".
Resposta: Para ser lido oras!
Meses, foram-se, passaram, e eis que entra o ano novo.
E aqui estou, de novo, ainda sem juras de ser eterno, mas com a promessa de estar sempre presente enquanto puder.

Saturday, October 28, 2006

Das cores dos odores...

Em meio a uma multidão, ou apenas andando pela rua, ou ainda conversando, existe algo que atrai minha atenção de forma completa.

Cheiros! Que levam os mais variados nomes, de odores, perfumes, fragrâncias para aqueles que agradam ao olfato, indo até os miasmas, catingas, nhacas e fedores, para aquelas emanações que nos fazem chegar lágrimas aos olhos, sem serem de emoção.

Me fascina o modo como cada odor tem seu próprio toque, seu peso e mesmo sua cor. Dos ruins não vale a pena falar, são ruins e pronto.

Contudo, estar em meio a várias pessoas e, a cada nuvem de perfume que me passa, tentar antever a possuidora de tal fragrância é algo, ao mesmo tempo, prazeroso e divertido.

Pois daquele halo de perfume adocicado pungente e avermelhado, com um fundo amadeirado discreto, mas saturado de um floral estonteante, que ao menor toque em meu olfato me faz esquentar o sangue e deixa o coração a trepidar incontrolável, um perfume que dá toda a indicação de volúpia, excitação, o selvagem apelo de um corpo ardente por satisfação, não se pode imaginar que tal tesão diáfano esteja emanado do delicado e alvo pescoço daquela garota singela, timida, calada e com um sorriso quase angelical, parada bem ao meu lado, apertando dois livros de Olavo Bilac contra o peito, a falar com sua voz macia e quase inaudível sobre o filme que está em cartaz no cinema.

Perfumes, especialmente os femininos, a eles me curvo...

Monday, October 23, 2006

E a Musa sopra ao ouvido...


As vezes nos deparamos com um desafio. Muitas vezes simplesmente damos as costas, outras, aceitamos e vamos em frente.
Machado de Assis! Sim , o Grande Mestre, em seu livro Dom Casmurro propõe um desafio aos leitores: Escrever um soneto a partir de duas frases, respectivamente a primeira e a última, as quais ele mesmo propõe, e que não devem ser mudadas. Li, sorri, imaginei como seria escrever o tal soneto seguindo as tais regras. Mas as Musas não se calaram, e eis que ele me brota dos dedos.
Assim, proponho o mesmo desafio, ou ainda, repito o que foi feito por Machado. Leia as frases, quem sabe elas não lhe dirão algo. Mas lembre-se, a primeira e a última são imutáveis, o recheio é que fica por sua conta.

Aqui estão elas: a primeira é "Oh! Flor do céu! Oh! Flor candida e Pura!" e a última "Perde-se a Vida, ganha-se a Batalha!"

E aqui vai a humilde criação deste que vos escreve:

Pena e Pétala.

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
De tuas pétalas, perfumadas, a carícia,
Retira, ousada, do poeta toda perícia,
Que declina da pena em subalterna mesura

Rende-se ele diante de tanta candura,
E tomba-lhe das palavras toda malícia,
Purifica-lhe o espírito tua blandícia,
Legando-o ao silêncio, essa doce tortura.

Mas, ei-lo, de si retirar a mortalha,
Os dedos à pena, novamente à luta,
Cobrindo de tinta a intocada folha.

Um ultimo alento, exala-o sem escolha,
Pois sabe que em tão intima disputa
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

Finito!

Saturday, October 21, 2006

10 dias as portas do inferno...

Foram-se, as más impressões, as sen~sações ruins, o sentimento de mal agouro.

Foram-se, dez dias de estranheza absoluta, sem saber o que havia ou o que haveria de vir.

Foram-se...

Mas de tudo isso, a frase clichê se aplica bem: sempre há algo de bom ou, ao menos, útil de alguma forma.

Os dias ainda estão estranhos, é verdade. Ainda me sinto deslocado, desconectado de algo que não sei bem ao certo o que era, mas que agora não é mais.
E depois desses dias, duvidando de que abriria os olhos no próximo (e morrendo de medo por antecipação), uma coisa é certa.
Nada mais é certo.
Não há uma linha dos meus dias que seja a mesma. Não há um vestígio sequer da modorrenta vida que antes eu levava. Experimento nesse exato momento a dádiva de ver tudo como se fosse a primeira vez.
Canções que antes eram apenas canções, agora passaram a ser canções ouvidas de forma nova.
Não vejo mais presságios no vento, apenas o vento. Não traduzo mais meu futuro pela luz da Lua, é apenas o Luar refletindo-se no chão.
Não caço mais mensagens subliminares em cada pequena desgraça do dia-a-dia, são apenas desgraças do dia-a-dia. Não tenho mais um Futuro, apenas o presente, vivido em cada pequeno segundo dele.

Minha eterna solidão, cultivada com afinco por muitos anos, agora é apenas solidão, e não o Cartaz de Oh-pobre-de-mim-que-não-tenho-ninguém-nesse-mundo-cruel-e-que-não-me-compreende.

Olhares agora tem brilho. Vozes tem som.Abraços deixaram de ser presentes, e passaram a ser conforto. Perdi, talvez, um pouco da sensibilidade que tinha antes, mas ela não era mais do que desculpa para me mostrar como algo que não era.
Amores! Esses meus fantasmas, que quem me conhece sabe muito bem como os cultivo e guardo. Amores meus, já não são mais meus.
Quero um amor novo, de novo. Quero olhares de malícia, lábios sedentos, quero calor, quero corpo, quero beijos, arranhões. Quero mais vida.

Carpe Diem!

Tuesday, October 17, 2006

Ainda pensando num titulo

Não sei se por ter lido Saramago - A caverna - ou talvez por ter sofrido durante quase todo o fim de semana com meu estomago recusando qualquer alimento sólido.
Não sei se por ter recebido em casa a visita de minha irmã, que mora em outra cidade, ou se por minha própria casa estar passando por reformas.
Não sei se por ter assistido ao filme "Terror em Silent Hill".
Não sei, mas talvez isso tudo junto.
O que importa, na verdade, não importa. Confuso? Explico.
Sensações, sensações a me rodear como uma nuvem transparente. Mas ainda, uma delas, a mais forte de todas, a mais presente, a que me chocou, espantou e deixou os olhos a beira das lágrimas.A sensação de que nada é para sempre. Frase Clichê, eu sei, mas nada lhe traduz melhor.
Uma sensação de.. de... de exatamente isso, de não-se-sabe-o-que, um não-sei-dizer-o-que que fica rodenado não-sei-bem-como tentando dizer não-sei-ao-certo-o-que, mas que, em um segundo de clareza, divina eu diria, materializou-se como uma pedra bem a minha frente. A bem da verdade, como uma montanha.
Nada é para sempre. Eu não sou para sempre, meus planos, sonhos e desejos não passam de fumaça, que ali está ou não está dependendo da vontade do vento.
Tudo o mais passa a segundo plano quando esse pensamento me vem a mente nesses dias. E ele esteve comigo, presente, constante, contundente, nas últimas trinta e seis horas.
O mundo não perdeu a cor, mas também não se tornou multicor, as pessoas não deixaram de ter beleza, mas passei a notar cada rosto que passa por mim, enquanto dentro de meu peito, no coração, algo berrava a plenas forças que nada daquilo estaria a durar. Nada daquilo poderia estar ali daqui ha algum tempo.
Mas viver assim, seria o mesmo que passar uma gilete pelos punhos, ou engolir um vidro inteiro de comprimidos ou, no ato que eu realmente considero como vindo de quem realmente não quer mais viver, meter uma bala na cabeça.
Não, não desejo deixar de viver, pelo oposto, cada segundo agora se tornou mais longo, mais cheio de ranhuras, mais detalhado.
Deixei de ser uma maquina de viver, e passei a ver que a vida acontece a cada mísero segundo, e que em um desses míseros segundos ela irá, definitivamente, terminar.
Medo, sim, ele veio me visitar. Quem diz que não teme a morte, nem que seja apenas por aquele aperto no peito, mente descaradamente. Não sou indiferente a morte, e ainda estou aprendendo a aceita-la.
Mas tudo anda estranho, fora de foco, mas perfeitamente visivel. Pessoas passam a ter significados diferentes, e meu sorriso acaba por perder o próprio. Um leve repuxar de lábios, quando por dentro existe apenas um par de olhos arregalados, assustados como os de uma criança, ao ver um a um, os segundos escorrerem do relógio, a saber que, a cada um deles, mais perto me encontro do não-sei-o-que que me espera não-sei-quando.

Mas tudo isso, talvez, não passe de mero efeito colateral. Doenças tem o dom de nos deixar vulneráveis.

Ou talvez não.

Friday, October 13, 2006

Quando o silêncio fala mais alto...

Palavras. Bichinhos travessos são as palavras. Parecem sempre estar a me contrariar. Quando quero escrever, não escrevo, mas então, bem no meio da rua, longe de tudo, sem ter sequer um mísero pedaço de papel e um toco de lápis, elas brotam aos borbotões.

Bonita essa palavra, não? "Borbotões". Deveria usar ela mais vezes.

Todavia, a imagem que se formou, se perdeu. E se perdido está, perdido permanece até que resolva aser achado novamente. Mas nem tudo foi perda. Com esse sumiço tão completo do que eu pretendia escrever, outra coisa surgiu em seu lugar, quase como a destruição que fica após um vendaval, ou o eco dos aplausos após uma música muito bem executada, ou ainda a fumaça de pólvora que flutua no ar depois de um show pirotécnico.

Palavras! Que traiçoeiras são, e muitas vezes dizem o que não queremos, mas que no fundo, sempre estão a traduzir nossos pensamentos, mesmo os não-pensados. Palavras! Adagas feitas de pétalas, que perfumam o corte que fazem.

Palavras! Cuidado, escreva sempre antes que elas fujam!

Tuesday, October 10, 2006

Sopra o vento...

Que estranho pareça, e mesmo que assim seja a verdade é que, pelo vento, alguma coisa em mim se estremece. O toque frio e invisível de um zéfiro me remete a lembranças das mais diversas, algumas delas agradáveis, outras tristonhas, umas poucas lá um tanto amargas, mas todas com aquele toque sutil de nostalgia. E por que nostalgia? A bem da verdade não sei.

Mas assim é, basta que passe por mim aquele frio bafejo de ar para alguma coisa saltar lá de dentro, lá daquelas lembranças que cheiram a pó, que ficam escondidas naquele recanto mais afastado da mente. Salta e fica bailando por meus pensamentos, toma conta do raciocínio, se infiltra no seja-lá que eu estiver fazendo e dali não sai enquanto eu não lhe deito uma vista d' olhos que a satisfaça.

Não demoro muito a render-me a tal devaneio, pois um sonho de olhos abertos muitas vezes é mais aprazível do que aqueles que temos nos braços do sono. E essas lembranças, essas coisinhas miudas guardadas com tal cuidado como se delas se -lhe desprendesse um valor incalculável, essas pequenas porções de nostalgia, eu as saboreio a cada vez que me vem ao cônscio pensamento.

É por isso que digo: Gosto do vento!